6º Ano
Queda do Império Romano
Por Me. Cláudio Fernandes
Quando se fala em Queda do Império Romano, deve-se entender que se
trata da queda do Império Romano do Ocidente, isto é, a porção do vasto Império
Romano que tinha por sede a cidade de Roma, haja vista que a porção oriental do
Império, cuja sede era Bizâncio (depois Constantinopla), vigorou até
1453.
O processo de declínio do Império Romano do Ocidente começou
em meados do século IV d.C., sobretudo em razão da série de problemas que desde
o século III o assolava, como as invasões bárbaras, a crise econômica e a
disputa dos militares pelo poder.
As ondas migratórias dos povos bárbaros do norte da Europa e
de regiões da Ásia em direção a Roma, provocadas por transformações climáticas
e outros fatores similares, forçavam o Império a repelir os invasores e a mover
progressivamente mais contingentes do exército para a defesa do centro do
Império, que era a cidade de Roma.
Do ponto de vista econômico, o Império entrou em crise
sobretudo após o colapso do sistema escravista, que teve de ser substituído
pelo sistema de colonato, que
consistia na relação entre pessoas com precárias condições de subsistência e
grandes proprietários de terras, que contratavam seus serviços e, em troca,
ofereciam proteção e terras para o trabalho. Muitos proprietários que possuíam
escravos passaram a libertá-los e a estabelecer também o regime de colonato com
eles. Esse processo acabou por provocar uma decadência dos centros urbanos e da
atividade comercial nas cidades.
Outro fenômeno que ganhou proporção grandiosa em meio à crise
do Império foi a ascensão do cristianismo. Os cristãos, que já habitavam os
domínios do Império há bastante tempo, passaram a crescer numericamente. Esse
fato levou o Imperador Constantino – que, depois, transferiu a sede do Império
Romano para Bizâncio – a instituir o cristianismo como religião principal do
Império Romano, tendo ele próprio se convertido.
7º Ano
A INDEPENDÊNCIA DOS ESTADOS UNIDOS
No século
XVIII, observamos o processo de crise das monarquias absolutistas, sinalizando
o fim de um período chamado pelos liberais de Antigo Regime. Combatendo os
princípios religiosos, filosóficos e políticos que fundamentavam a definição de
um poder centralizado e a manutenção de certas práticas feudais, as revoluções
burguesas sinalizavam a criação de uma nova forma de poder estabelecido.
De acordo com a historiografia, a primeira experiência revolucionária a
defender as ideias iluministas e reivindicar o fim da opressão monárquica,
ocorreu no território das Treze Colônias inglesas. De posse da Coroa Britânica,
as Treze Colônias desenvolveram certas peculiaridades econômicas, políticas e
culturais. Sem contar com um modelo homogêneo de exploração colonial, os
habitantes dessa região tinham uma relação diferente com sua metrópole.
Conhecida como “negligência salutar”, a liberdade concedida pelo governo
britânico aos colonos norte-americanos foi responsável pelo florescimento de um
espírito autônomo e a consolidação de diferentes formas de exploração do
território. Ao sul, a economia baseada na plantation de exportação sustentada pelo trabalho
escravo fazia contraste com as pequenas propriedades e as atividades comerciais
empreendidas pelos colonos do norte.
Ao longo do século XVII, o envolvimento da Inglaterra em guerras pela Europa
tornou-se um dos grandes fatores explicativos de toda liberdade política e
econômica concedida às Treze Colônias. Entre os conflitos em que a Inglaterra
se envolveu, a Guerra dos Sete Anos (1756 – 1763) foi responsável pelo
esvaziamento dos cofres públicos do país. Buscando sanar suas contas, a
Inglaterra resolveu enrijecer suas relações com as colônias.
Em 1764, a chamada Lei do Açúcar obrigava os colonos a pagar uma taxa adicional
sob qualquer carregamento de açúcar que não pertencesse às colônias britânicas.
Com tal exigência, a autonomia econômica dos colonos começava a ser ameaçada.
No ano seguinte, a Lei do Selo exigia a compra de um selo presente em todos os
documentos que circulassem pelo território. Já em 1773, a Lei do Chá obrigava a
colônia a consumir somente o chá oriundo das embarcações britânicas.
Inconformados com tais desmandos e inspirados pelos escritos dos pensadores
John Locke e Thomas Paine – francos opositores da dominação colonial – os
colonos norte-americanos começaram a se opor à presença britânica nas Treze Colônias.
Em dezembro de 1773, organizaram uma revolta contra o monopólio do chá que
ficou conhecida como Boston Tea Party. Intransigente aos protestos coloniais, a
Inglaterra decidiu fechar o porto de Boston (local da revolta) e impor as
chamadas Leis Intoleráveis.
No ano
seguinte, reunidos no Primeiro Congresso da Filadélfia, os colonos redigiram um
documento exigindo o fim das exigências metropolitanas. No Segundo Congresso da
Filadélfia, ocorrido em 4 de julho de 1776, os colonos resolveram romper definitivamente
com a Inglaterra, proclamando a sua Independência.
Não reconhecendo as resoluções do Congresso da Filadélfia, a Inglaterra entrou
em conflito contras as 13 colônias. Esses confrontos marcaram a chamada Guerra
de Independência das Treze colônias. Apoiados pelos franceses, inimigos
históricos da Inglaterra, as Treze Colônias venceram a guerra, tendo sua
independência reconhecida em 1783.
Adotando um sistema político republicano e federalista, os Estados Unidos
promulgaram sua carta constitucional em 1787. Os ideais de liberdade e
prosperidade defendidos pelos fundadores da república norte-americana não
refletiam a situação dispares dos estados do Norte e do Sul. Tais diferenças
acabaram por promover um conflito interno, que ficou conhecido como Guerra de
Secessão.
Por Rainer Sousa
Mestre em História
8º Ano
A UNIFICAÇÃO ITALIANA
A configuração
político-territorial da Itália, no início de século XIX, sofreu grande
intervenção por parte das medidas firmadas pelo Congresso de Viena de 1814. Com
os acordos consolidados, a atual região da Itália ficou dividida em oito
estados independentes, sendo que alguns deles eram controlados pela Áustria.
Nesse mesmo período de recondicionamento da
soberania monárquica, movimentos nacionalistas afloraram em diferentes partes
da Itália. Ao mesmo tempo, as motivações e projetos desses grupos nacionalistas
eram bastante variados. Envolvendo grupos de trabalhadores urbanos e rurais e
alcançando até mesmo a burguesia nacional, o Risorgimento manifestava-se em
ideais que passavam por tendências republicanas e, até mesmo, monárquicas.
Outra interessante manifestação nacionalista
também pôde ser contemplada com o aparecimento dos carbonários. A ação dos
carbonários se estabeleceu ao sul da Itália sob a liderança do comunista
Filippo Buonarotti. Lutando contra a ação dos governos absolutistas, o carbonarismo
foi um dos mais importantes movimentos nacionalistas de bases popular da
Itália.
Em 1831, Giuseppe Mazzini liderou outro
movimento republicano representado pela criação da Jovem Itália. Mesmo não
obtendo sucesso, o nacionalismo italiano ainda teve forças para avivar suas
tendências políticas. No ano de 1847, uma série de manifestações
antimonárquicas tomaram conta da região norte, nos reinos de Piemonte e
Sardenha, e ao sul no Reino das Duas Sicílias. No Reino da Lombardia
consolidou-se um dos maiores avanços republicanos quando o rei foi obrigado a
instituir um Poder Legislativo eleito pelos cidadãos.
Mesmo com a agitação dessas revoltas, a presença
austríaca e o poder monárquico conseguiram resistir à crescente tendência
republicana. Só com o interesse da burguesia industrial do norte da Itália,
politicamente patrocinada pelo primeiro-ministro piemontês Camilo Benso di
Cavour, que o processo de unificação começou a ter maior sustentação.
Angariando o apoio militar e político dos Estados vizinhos e do rei francês
Napoleão III, em 1859, a guerra contra a Áustria teve seu início.
Temendo a deflagração de movimentos de tendência
socialista e republicana, o governo Francês retirou o seu apoio ao movimento de
unificação. Ainda assim, Camilo di Cavour conseguiu unificar uma considerável
porção dos reinos do norte. Nesse mesmo período, ao sul, Giuseppe Garibaldi
liderou os “camisas vermelhas” contra as monarquias sulistas. Para não
enfraquecer o movimento de unificação, Garibaldi decidiu abandonar o movimento
por não concordar com as ideias defendidas pelos representantes do norte.
Dessa maneira, os monarquistas do norte
controlaram a unificação estabelecendo o rei Vítor Emanuel II. No ano de 1861,
o Reino da Itália era composto por grande parte do seu atual território. Entre
1866 e 1870, após uma série de conflitos, as cidades de Veneza e Roma foram
finalmente anexadas ao novo governo. A unificação da Itália teve seu fim no ano
de 1929, quando após anos e anos de resistência da autoridade papal, o tratado
de Latrão completou a formação da nação italiana.
Apesar de representar uma luta histórica ao
longo do século XIX, a unificação italiana não conseguiu prontamente criar uma
identidade cultural entre o povo italiano. Além das diferenças de cunho
histórico, linguístico e cultural, a diferença do desenvolvimento econômico
observado nas regiões norte e sul foi outro entrave na criação da Itália.
9º Ano
AI-5
Com o
prosseguimento dos militares no poder, observamos que as situações de protesto
e conflito contra o novo governo tomavam cada vez mais relevância. Por um lado,
políticos de grande quilate como Juscelino, Jango e Carlos Lacerda organizavam
a “Frente Ampla”, movimento que defendia o retorno à democracia liberal. Por
outro, estudantes e outros grupos se mobilizavam em enormes passeatas que
reivindicavam o fim das imposições militares.
No dia 28 de junho de 1968, milhares
de trabalhadores, estudantes, artistas, intelectuais, professores e religiosos
se reuniram na chamada Passeata dos Cem Mil. Tendo o recente assassinato do
estudante Édson Luís como pano de fundo, os membros desta manifestação fizeram um
grande ato contra a ditadura militar. Logo em seguida, greves em São Paulo e
Minas Gerais também mostravam os problemas e a indignação dos trabalhadores.
Mediante todas essas ações de inconformidade, os representantes da cúpula
militar acreditavam que o governo deveria articular medidas que viessem a frear
esses e outros episódios de natureza subversiva. Em julho de 1968, os
integrantes do Conselho de Segurança Nacional concluíram que o Brasil se
apresentava em avançado estágio de “guerra revolucionária” apoiada por membros
de oposição diretamente influenciados pelo ideário comunista.
No dia 2 de setembro, os ânimos se inflamaram ainda mais quando o deputado
Márcio Moreira Alves, do MDB, realizou um discurso no Congresso fazendo duras
críticas ao militarismo. Alguns meses depois, os próprios deputados federais
(incluindo alguns do próprio ARENA) negaram o pedido em que o Poder Executivo
solicitava processo contra o deputado Márcio Moreira. Aparentemente, os
militares não haviam alcançado a hegemonia política e ideológica esperada.
Dessa forma, no dia 13 de dezembro de 1968, ocorreu a publicação do Ato
Institucional n° 5. Visto como uma das maiores arbitrariedades da época, o novo
decreto permitia ao presidente estabelecer o recesso indeterminado do Congresso
Nacional e de qualquer outro órgão legislativo em esfera estadual e municipal,
cassar mandatos e suspender os direitos políticos de qualquer cidadão por dez
anos. Além disso, poderia ser realizado o confisco dos bens daqueles que fossem
incriminados por corrupção.
Não bastando isso, o AI-5 suspendia as garantias individuais ao permitir que o
habeas corpus perdesse a sua aplicação legal. A partir de então, autoridades
militares poderiam prender e coagir os cidadãos de forma arbitrária e violenta.
Logo após a publicação do AI-5, vários jornalistas e políticos foram lançados
na cadeia. Tempos mais tarde, o presidente Costa e Silva se dirigiu à nação
dizendo que tal ato fora necessário para que a corrupção e a subversão fossem
combatidas, e a democracia resguardada.
Por fim, observamos que a ditadura mostrava sua mais clara faceta ao minar o
poder de ação dos indivíduos por meio da força. Acuados pela repressão, alguns
membros da esquerda buscaram o exílio ou as vias oficiais disponíveis para se
manter contra o regime. Ainda haveria uma minoria que incorporou as
experiências de guerrilha urbana e rural em uma tentativa radical de luta
contra os militares. No fim das contas, o Brasil inaugurava sombriamente os
seus “anos de chumbo”.
Por Rainer Sousa
Mestre em História
Disponível em <http://www.brasilescola.com/historiab/ai5.htm>